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A Busca da Nissan pela Mobilidade de Emissões Zero:

Toda a História

 

Do Tama ao Pivo2, Um Olhar em Retrospectiva aos 60 anos

de Desenvolvimento de Veículos Eléctricos da Nissan

 

O Nascimento da Época dos Veículos Eléctricos

 
 

"A sua outra preocupação eram as próprias baterias. Thorne seleccionou as novas baterias a iões de lítio da Nissan, que eram extremamente eficientes relativamente ao peso."

 

A citação acima poderia muito bem ser de um oficial do governo sobre uma futura frota de veículos de emissões zero. Na realidade, provém de uma cena do romance de 1990 de Michael Crichton que, posteriormente, se tornou no êxito de bilheteira Jurassic Park.

 

Aproximadamente duas décadas depois, a Nissan continua a ser uma líder industrial no desenvolvimento de baterias de iões de lítio. Contudo, a verdadeira história de Veículos Eléctricos da Nissan começa muito mais cedo (apesar de não ter sido bem na era jurássica) em 1947. Foi um período único na indústria automóvel e no desenvolvimento de veículos eléctricos. Devido à falta de energia que se fez sentir após o fim da Segunda Guerra Mundial, o governo japonês encorajou empreendedores a produzir veículos eléctricos para enfrentar a crise.

 

Tama (1947)

 

O "Automóvel Eléctrico Tama" foi criado pela Tokyo Electric Cars Company – um dos antepassados da Prince Motor Co., Ltd., que mais tarde se fundiu com a Nissan. Desenvolvido por engenheiros de aviação militar que perderam os seus empregos com o final da guerra, o Tama utilizava baterias de ácido substituíveis, produzia uma potência de 3,3 kW e atingia uma velocidade máxima de 35 km/h. Com uma autonomia de 65 km, era sobretudo utilizado com táxi. Também se encontrava disponível uma versão pickup compacta. 

 

Bateria de ácido substituível do Tama

 

Diz-se que o Tama atingiu uma velocidade máxima de 35,2 km/h e uma autonomia de 96 km, um desempenho muito superior às especificações da brochura, num teste realizado pelo governo japonês. O Tama foi vendido até 1950, quando a recuperação pós-guerra do Japão estava no bom caminho e o fornecimento de petróleo se encontrava estabilizado.

Iões de lítio no
Prairie

 
 

Hoje, com o futuro do petróleo novamente incerto e o ecossistema sob pressão, não é preciso demonstrar que a evolução da tecnologia das baterias corresponde a uma necessidade social e a um espírito empreendedor – forças impulsionadoras que estão na base dos veículos eléctricos da Nissan.

 

A aplicação na indústria automóvel de baterias de iões de lítio (Li-ion) começou em 1990, dirigida pela Sony Corporation. Apenas um dia após o anúncio oficial da Sony, a Nissan começou a trabalhar em colaboração com a empresa. O primeiro fruto deste trabalho conjunto surgiu em 1995, quando a Nissan lançou o Prairie EV (Electric Vehicle), o primeiro automóvel eléctrico do mundo alimentado com uma bateria de iões de lítio. Apesar de o Prairie EV estar limitado à venda de frotas, cerca de 30 unidades foram vendidas a várias entidades. 

 

"A maior parte da indústria, mesmo os nossos colegas, estavam cépticos em relação ao sistema de iões de lítio", recorda Hideaki Horie, Director Técnico na Divisão de Desenvolvimento da Tecnologia de Veículos Eléctricos. "Escolhemos a bateria de iões de lítio porque acreditávamos no seu potencial e possíveis aplicações em veículos, sendo muito superior às baterias híbridas de níquel que eram comuns na época."

 

 

Hideaki Horie


 

Veículo Eléctrico no Gelo

 
Uma das aplicações mais invulgares do Prairie EV foi os anos que este passou sob condições polares extremas como um veículo de apoio da Equipa de Exploração Nacional do Japão no Pólo Norte. Em 2000, quando o Prairie EV era submetido a um teste num clima frio na pista de ensaio da Nissan em Hokkaido, o proprietário da estalagem onde se encontrava hospedado o grupo de avaliação disse-lhes que a equipa Internacional de Investigação do Árctico estava à procura de um veículo eléctrico para utilizar na sua estação de investigação em Ny-Alesund, Svalbard, Noruega, a qual, situada a 79° N, é o local habitado mais a norte do mundo.

 

Os engenheiros da Nissan pensaram que seria uma grande oportunidade para um teste mais prolongado no frio extremo, que eles próprios poderiam monitorizar a partir de localizações mais quentes. Foi providenciado o empréstimo um Prairie EV com uma bateria cilíndrica de iões de lítio aos investigadores do Árctico. O Prairie EV, sem qualquer apoio e manutenção por parte da Nissan, funcionou como o meio de transporte diário desde a estação de investigação base até à cidade e ao aeroporto e, mais importante ainda, enquanto se efectuavam observações meteorológicas. Os veículos de emissões zero são importantíssimos para esse fim por não contaminarem os dados da investigação com emissões de CO2.

 

"Na Aldeia de Investigação do Árctico, o veículo eléctrico da Nissan tornou-se num símbolo do nosso compromisso de que o ambiente não seria prejudicado pela execução das actividades de investigação", recorda o Dr. Hajime Ito, Presidente da NySMAC. "Os VIP que visitaram a nossa aldeia foram recebidos no aeroporto pelo Prairie EV, que os transportou para a aldeia emitindo pouco ruído e nenhuns gases de escape. É também um excelente veículo para fins científicos, tal como a observação de animais selvagens, dos quais se pode aproximar sem ruído ou odores."

 

Em 2006, após seis anos de funcionamento sem falhas, o Prairie EV deixou de funcionar. Uma vez que Ny-Alesund, com uma população permanente de 25 habitantes, não tinha um concessionário, o veículo foi devolvido à Nissan para investigação e avaliação. Ao examinarem o veículo, os engenheiros da Nissan ficaram muito satisfeitos quando descobriram que o problema residia num condensador desligado. Assim que foi reparado, o Prairie EV começou imediatamente a funcionar (apesar de o desempenho da bateria ter diminuído ligeiramente, de acordo com as previsões), comprovando a fiabilidade e durabilidade da bateria de iões de lítio sob condições extremas.

 

 

Prairie EV no Centro de Investigação do Ambiente Árctico, Ny-Alesund, Noruega

 


Em 1997, dois anos após a introdução do Prairie EV, a Nissan apresentou o Altra EV (denominado R'nessa EV no Japão) equipado com bateria de iões de lítio. Esta premiada carrinha eléctrica (distinguida como um dos "automóveis mais ecológicos" pela Green Guide to Cars and Trucks em 1999) foi vendida no Japão e nos Estados Unidos, embora apenas tivessem sido produzidas cerca de 200 unidades. 

História de LA

 
 

As unidades iniciais foram entregues a empresas de serviços públicos, incluindo a Empresa Southern California Edison, a Pacific Gas, a Electric Company e o Departamento de Água e Energia de Los Angeles. Estas até foram utilizadas como "veículos reguladores de trânsito" pelo Departamento de Polícia de Santa Monica. Durante um breve período de tempo também era possível alugar um Altra EV no Aeroporto Internacional de Los Angeles.

 

 

Altra EV (1997)

 

Parte comercial, parte SUV, parte carrinha, o Altra EV tinha uma distância entre eixos relativamente longa de 2.799 mm e 4.869 mm de comprimento – quase idêntico ao Nissan Maxima de 2010, com uma distância entre eixos de 2.776 mm e 4.841 mm de comprimento. 

 

A carga das baterias era efectuada por um sistema de carregamento indutivo, de fácil utilização, seguro e comprovado através de um manípulo electromagnético inserido numa porta de carga localizada na grelha dianteira. O motor síncrono de 83cv (62kW) utilizou um íman interno de liga de boro, ferro e neodímio de desempenho elevado, com uma eficiência de funcionamento de, aproximadamente, 89 por cento. O conjunto da bateria de iões de lítio de 12 módulos do Altra EV encontrava-se localizado sob o piso do habitáculo e oferecia uma autonomia no “mundo real” (cidade/auto-estrada combinadas) de 130 km. Também possuia um Sistema Anti-bloqueio (ABS) nas 4 rodas, travagem regenerativa, uma velocidade máxima de 120 km/h e uma capacidade de carga/passageiros de cerca de 363 quilogramas. Os condutores do Altra EV foram mimados com luxos como ar condicionado, vidros e fechos das portas eléctricos, um sistema áudio premium e airbags duplos suplementares.

 

Estrela de
Cinema Eléctrico

 
Logo após a apresentação do Altra EV, a Nissan desafiou-se a si mesma para desenvolver um veículo eléctrico mais compacto e não tão familiar. O resultado foi o lendário Hypermini, que teve a sua estreia em 1999.

 

Hypermini (1999)

 

O Hypermini incluía uma estrutura de alumínio altamente rígida e leve e estava equipado com um motor de tracção síncrono com ímanes de neodímio e baterias de iões de lítio de desempenho elevado. Demorava cerca de quatro horas para recarregar as baterias utilizando um carregador CA indutivo, sem contacto, de 200 volts. A autonomia do Hypermini era de 115 km com carga de uma só bateria e a velocidade máxima era de cerca de 100 km/h. O automóvel foi bastante utilizado no Japão e nos EUA, incluindo na Universidade da Califórnia, Davis e num projecto de partilha automóvel em Yokohama.

 

Com apenas 2.655 mm de comprimento e 1.550 mm de altura, o Hypermini de dois lugares tinha um estilo surpreendente que chamava a atenção onde quer que fosse. Até apareceu em dois filmes produzidos nos EUA, O Diário da Princesa 2 e Último Dia de Aulas, e numa série de animação japonesa para TV, Shigofumi.

 

Totalmente Carregado para o Futuro

 
A viragem do século foi igualmente um ponto de viragem para os sistemas de baterias. A Nissan deu um grande passo e começou a desenvolver baterias de iões de lítio laminadas e compactas juntamente com a NEC, substituindo a célula cilíndrica utilizada até então. As recentes baterias laminadas são capazes de armazenar o dobro da energia com a mesma dimensão. Por outras palavras, é como ter a mesma quantidade de energia contida na garrafa do molho de caril, em vez de na garrafa de champanhe de tamanho magnum.

 

 

Tipo cilíndrico                                   Tipo laminado

 

A evolução do desenvolvimento da bateria acelerou na última década em grande parte devido às inovações efectuadas nos equipamentos electrónicos de casa e pessoais, especialmente telemóveis.

 

"Podemos até dizer que a evolução das baterias se deve em parte às raparigas do ensino secundário de Shibuya, as quais são extremamente exigentes e grandes utilizadoras de telemóveis", diz Horie. "Anseiam conversar e receber cada vez mais e-mails, com menos tempo de carregamento. O aumento crescente de telemóveis acelerou definitivamente o aperfeiçoamento da tecnologia das baterias."

 

 

 

O impacto da redução contínua da dimensão das baterias foi sentido não só em telemóveis e computadores, como também na concepção de automóveis. 

 

"Somos libertados de diversas restrições se escolhermos um grupo motopropulsor eléctrico", disse Shiro Nakamura, Vice-presidente Sénior de Design da Nissan Motor Co., Ltd. "Por exemplo, permite baixar muito o capot, contribuindo para o estilo e para a aerodinâmica do veículo. Podemos baixar muito o centro de gravidade colocando a bateria sob o piso ou podemos ainda colocar o motor na roda. E, finalmente, podemos separar o habitáculo e a plataforma – graças à tecnologia x-by-wire. Pretendíamos apresentar exemplos desta liberdade de concepção e mobilidade para o futuro com o Pivo e o Pivo2. Estes conceitos incluem habitáculos rotativos e a capacidade para fazer com que as quatro rodas se desloquem individualmente."

 

 

 

Pivo (2005)                              Pivo2 (2007)

 

 

O Pivo original foi uma das estrelas do Salão Automóvel de Tóquio de 2005, uma característica seguida pelo Pivo2 da próxima geração, dois anos mais tarde. Prosseguindo com a tradição da Nissan de expor conceitos de veículos eléctricos avançados nos salões automóveis internacionais de topo do mundo, o automóvel desportivo eléctrico Nissan Mixim foi dado a conhecer no Salão Automóvel de Frankfurt em 2007, seguido pelo Nissan NUVU (literalmente uma “nova visão” do veículo de transporte urbano) no Salão Automóvel de Paris em 2008. O NUVU integra uma representação divertida das credenciais ecológicas da Nissan, incluindo painéis solares ao longo do seu tejadilho totalmente em vidro e a utilização de materiais orgânicos e reciclados no interior do habitáculo.

 

A pensar no futuro após mais de 60 anos de liderança dos veículos eléctricos, o ano 2010 irá marcar a transição da era da mobilidade convencional para a verdadeira mobilidade de emissões zero, liderada pela introdução do veículo eléctrico da Nissan da próxima geração. 

 

Os automóveis como os veículos eléctricos da Nissan irão aproximar-nos ainda mais do dia em que os veículos da Nissan alimentados por bateria de iões de lítio irão deslocar-se de forma eficaz e limpa através de parques de divertimento urbanos com clones de Raptors e de T-Rex – e não apenas em romances e filmes. 

 

E onde os verdadeiros dinossauros visíveis poderão ser tão só os veículos de combustão interna…

 

 

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Emitido pela Nissan