Os novos veículos eléctricos não são apenas automóveis "normais" equipados com motores eléctricos, em substituição dos tradicionais motores a gasolina ou gasóleo. São isso sim um completamente novo conceito de automóvel.
O Nissan LEAF, o primeiro veículo eléctrico (VE) do mundo com um preço acessível, desempenho e funcionalidade semelhantes a um "convencional" cinco lugares, é tudo menos convencional. È um repensar da mobilidade automóvel, uma revolução eléctrica.
Começando pelo motor: o motor eléctrico não possui óleo, nem árvore de cames, cambota, válvulas, colectores de admissão, escape ou pistões. E uma vez que um automóvel eléctrico não produz emissões pelo tubo de escape, não há necessidade de um conversor catalítico, controlos de NOx ou monóxido de carbono, ou sistemas de injecção dispendiosos.
Ou seja, ao contrário dos motores térmicos, os eléctricos são incrivelmente simples. Com tudo o que isso representa em termos de redução dos custos de funcionamento e manutenção, bem como reforço da fiabilidade. Por outro lado, uma vez que não existe combustão, quase não há emissão de ruído e não é produzido fumo.
Os motores eléctricos são pequenos. Não sendo necessário tanto espaço para o motor e havendo menos componentes mecânicos (nem a transmissão é convencional...) é a habitabilidade que sai melhorada.
Os motores eléctricos trabalham numa faixa mais alargada de rotações do que os motores de combustão. Estes não arrancam a uma rotação baixa (é por isso que num veículo com transmissão manual, é necessário subir ligeiramente as rotações ao motor, antes de accionar a embraiagem) nem possuem rotações muito elevadas (motivo pelo qual todos os automóveis "normais" possuem transmissões "escalonadas" - as caixas de velocidades compensam o intervalo limitado de rotações do motor).
O Nissan LEAF, tal como todos os automóveis eléctricos, desenvolve, instantaneamente, o seu binário máximo, com a particularidade de o conseguir manter num intervalo de rotações muito amplo. Em algumas situações, o Nissan LEAF é mais rápido do que um automóvel "normal". O binário "instantâneo" permite que o Nissan LEAF reivindique uma excelente aceleração inicial. Isto é particularmente útil na condução urbana ou suburbana. Os intervalos muito mais amplos de binário e as elevadas rotações produzidas pelo motor eléctrico também permitem que o Nissan LEAF ofereça uma aceleração mais linear do que a de um automóvel a gasolina ou gasóleo.
Apesar dos desenvolvimentos a que têm sido sujeitas, as caixas de velocidades convencionais não têm sofrido uma significativa redução no peso e na complexidade mecânica. Mas nos veículos eléctricos não existe um pedal da embraiagem, nem a tradicional alavanca que permite a engrenagem de velocidades. Como resultado, o Nissan LEAF é mais fácil de conduzir do que um automóvel com caixa de velocidades manual. A condução é semelhante à de um automóvel automático, embora seja mais suave e silenciosa, não se registando os "solavancos" que muitas vezes ocorrem nos veículos automáticos ou manuais, aquando das mudanças de velocidade. É apenas uma aceleração contínua. O funcionamento mais suave e silencioso de um motor eléctrico também tem benefícios ao nível do ruído e vibrações.
Não possui depósito de combustível e, por isso, não é necessário parar num posto de abastecimento. Um veículo eléctrico é carregado do mesmo modo que um telemóvel ou um computador portátil são carregados. Um simples carregamento durante a noite é provavelmente a opção mais fácil e, geralmente, a mais barata (durante este período, a electricidade é mais barata). Um carregamento completo, com uma bateria descarregada, numa tomada de 220-240 V demora cerca de oito horas. Mas com um carregador rápido, a bateria pode ser carregada até 80% da sua capacidade total em cerca de 30 minutos.
A bateria de iões de lítio do Nissan LEAF é um dispositivo de armazenamento de energia de nova geração que revoluciona a funcionalidade e acessibilidade dos automóveis eléctricos. A superior densidade de energia reflecte-se numa significativamente maior autonomia de condução, maior fiabilidade e melhores desempenhos. Uma carga completa permite uma autonomia de 160 km (modo US-LA 4), embora tal dependa da forma como o veículo é utilizado. Temperaturas muito quentes ou excessivamente frias, assim como uma condução a uma velocidade elevada e constante podem reduzir esse limite. Do mesmo modo, uma condução cuidada pode aumentá-lo.
A bateria de 48 módulos encontra-se montada sob os bancos e o piso. A plataforma é nova, adequando-se a um "automóvel totalmente novo". O Nissan LEAF tem 4.445 mm de comprimento e possui uma distância entre eixos de 2.700 mm. O piso é plano para ajudar ao fluxo de ar na parte inferior, enquanto o design dianteiro é acentuado e em forma de V, com faróis de díodo emissor de luz (LED) distintos que utilizam um design reflector interno e azul pouco comum. As luzes LED consomem metade da energia dos faróis "normais". Os faróis foram também concebidos para redireccionar o fluxo de ar para locais afastados dos espelhos retrovisores, reduzindo assim o ruído aerodinâmico. Um difusor traseiro e um deflector traseiro também contribuem para um bom desempenho aerodinâmico.
O Nissan LEAF está ligado a um centro de dados global e ao telemóvel e a um portal web com acesso privado do proprietário, de modo a garantir uma gestão eficaz da mobilidade. No habitáculo, o revolucionário sistema de TI (Transporte Inteligente) permite o acompanhamento "em tempo real" da autonomia de condução. Se a autonomia de condução for reduzida, serão aconselhados percursos alternativos. Também serão recomendados locais de carregamento.
No Nissan LEAF o telemóvel comunica com o automóvel, podendo verificar o nível de carregamento da bateria, dar instruções para o sistema de ar condicionado enquanto ainda está ligado à rede de carregamento, mas também informar o proprietário quando a carga está completa.
Ao contrário de alguns dos veículos eléctricos de reduzidas produções actualmente no mercado, o Nissan LEAF cumpre, rigorosamente, as mesmas normas de segurança que um automóvel de segmento C "normal". Os engenheiros da Nissan garantem, ainda, que o sistema eléctrico é totalmente seguro. Por exemplo, quando o carregador não se encontrar em utilização, o relé interno desliga a alimentação da porta de carregamento. A tampa da porta de carregamento foi concebida para ser à prova de condições atmosféricas adversas, não sendo afectada pela chuva ou neve.
O Nissan LEAF é o primeiro de uma nova gama de automóveis eléctricos e apesar de oferecer o benefício óbvio das zero emissões pelo tubo de escape, adiciona ainda uma utilização prática, bem como um conforto e um custo de utilização competitivos.
No entanto, o veículo eléctrico não é um fenómeno novo. Há mais de 100 anos, no início do século XX, existiam mais veículos eléctricos do que automóveis a gasolina nas estradas americanas. O pico das vendas foi em 1912. Estes automóveis eram mais silenciosos, limpos e fáceis de conduzir (fundamentalmente, não necessitavam de engrenagens de velocidades).
A afirmação dos motores a gasolina resultou da eventual conjugação de três factores: na época o petróleo era barato, foi produzido o Modelo T da Ford (embora esta tenha sido concebido para funcionar também a etanol extraído de plantas) e foi iniciada a construção de auto-estradas com o objectivo de ligar as principais cidades americanas. Nesse contexto, a limitada autonomia dos veículos eléctricos tornou-se numa questão fulcral. Os veículos eléctricos continuaram a ser pouco eficazes, devido ao fraco armazenamento de energia das suas tradicionais baterias de ácido e chumbo.
Era necessária uma inovação ao nível das baterias. E foram as baterias de iões de lítio que permitiram quebrar essa barreira.
A Nissan também já está familiarizada com os veículos eléctricos. O seu primeiro veículo eléctrico foi construído em 1947. O Tama foi fabricado pela Tokyo Electric Cars Company, uma das empresas antecessoras da Prince Motor Company que, posteriormente, se fundiram com a Nissan. Utilizava baterias de chumbo e ácido e atingia uma velocidade máxima de 35 km/h. O automóvel foi lançado no austero período do pós-guerra e foi retirado do mercado em 1950, com o aumento do fornecimento de petróleo.
A Nissan tem sido, desde há muito tempo, uma pioneira em baterias de iões de lítio. Em 1995, o Nissan Prairie EV foi o primeiro veículo eléctrico a utilizar baterias de iões de lítio, tendo sido vendidas 30 unidades a frotas japonesas.
Menos comum foi o facto de um Prairie EV ter apoiado, de 2000 a 2006, a equipa japonesa de exploração do Pólo Norte. Os cientistas do projecto pretendiam um veículo de emissões zero que não contaminasse quaisquer dados de pesquisa com poluentes emitidos pelo escape... Este foi um teste particularmente difícil para um veículo eléctrico, uma vez que a energia da bateria é sempre afectada em casos de frio extremo. No entanto, o desempenho do automóvel foi perfeito e apenas teve de ir uma vez ao Japão - porque não havia um concessionário Nissan próximo! - quando não foi possível reparar no local uma avaria que, afinal, mais não era do que um condensador desligado...
Em 1997, a Nissan lançou o Altra EV, com bateria de iões de lítio. Este monovolume eléctrico foi vendido em quantidades limitadas nos Estados Unidos e no Japão.
Os conhecimentos da Nissan sobre baterias desenvolveram-se na viragem do século. As baterias de iões de lítio laminadas, que substituem as baterias de células cilíndricas tradicionais, foram desenvolvidas em conjunto com a NEC. Estas foram utilizadas numa variedade de veículos eléctricos inovadores, especialmente no Pivo (2005) e Pivo2 (2007). Com a máxima flexibilidade de design que um veículo eléctrico pode oferecer, ambos os Pivo possuem habitáculos rotativos e a capacidade de direcção independente em cada roda, aumentando significativamente a manobrabilidade.
O Nissan LEAF é o apogeu de todo esse trabalho de desenvolvimento. Um veículo pioneiro que marca o início de uma nova era na mobilidade eléctrica, com "zero emissões pelo tubo de escape".